ENTREVISTA LEONARDO GONÇALVES‏

01 – Neste momento você está na fase final de preparação do seu novo álbum, "princípio e fim", que será lançado em abril pela Sony Music. O que o público pode esperar desse trabalho?

No fundo, eu continuo seguindo os mesmos princípios nos quais baseei os CDs "poemas e canções" (2002) e "viver e cantar" (2007). A grande diferença é que se passaram, já, 10 e 5 anos, respectivamente. Eu acredito que um trabalho musical acaba por representar a vida de alguém e se nos primeiros cds eu tinha 22 e 27 anos de idade, agora eu tenho 32 e já sou um homem casado, rs…! Minha vida –com D-S– é a "inspiração-mor" do meu trabalho; ou seja: tudo o que afeta minha vida, também afeta minha música.

Num sentido menos abstrato, ainda temos estilos musicais variados, como nos primeiros 2 CDs, mas acho que temos, em "princípio e fim" um álbum ao todo mais coeso… Tanto no conteúdo quanto musicalmente, também.

02 – Fale-nos mais do repertório, do processo de produção, das composições … enfim, conte-nos mais sobre o projeto.

O repertório todo gira em torno de um assunto apenas: o Reino de D-S. Mas existem duas manifestações deste Reino: um, agora, e outro, vindouro, eterno, que será estabelecido quando D-S restaurar esta terra. Normalmente as pessoas focam em apenas um destes dois aspectos, deixando o outro de lado. Minha tentativa, neste trabalho, foi de considerar um tanto quanto o outro. 

Os compositores deste CD são minha esposa Daniela Araújo (com duas canções), Tiago Arrais (também com duas canções), Felipe Valente (com duas canções) e o resto foi composto por mim, com parcerias com Rafael Brito e Samuel Silva. Excluindo a pré-produção, a produção deste álbum durou exatamente 11 meses e passou por fases bem curiosas: gravei todas as baterias, exceto uma, em Nashville, TN, nos Estados Unidos com Dan Needham, sem nunca pisar nos EUA; enviava as sessões pra ele pela internet (via FTP) e acompanhava a gravação pelo skype. Quando ele terminava de gravar, enviava um mp3 pra eu poder conferir se estava tudo como eu queria. Caso não, ele refazia alguma parte, até chegarmos a uma versão final. A outra bateria foi gravada por Marvin McQuitty (ex-baterista de Fred Hammond). As cordas foram gravadas no Dvórak Hall que é um auditório/estúdio do teatro Rudolfinum, no coração de Praga, na República Tcheca. A acústica e o projeto acústico são incríveis e o teatro é de 1885. Gravamos com um time de 60 cordas (32 violinos, 10 violas, 10 celli e 8 contra-baixos). Aqui no Brasil gravamos também nos melhores estúdios e com os melhores músicos aos quais tínhamos acesso… A mixagem ficou por conta de Fernando Menezes do estúdio Gothan (o mesmo que mixou o cd "Daniela Araújo") e a masterização ficou por conta de Tony Cousins do Metropolis Mastering (que tem Adele e Peter Gabriel em seu currículo).

03 – Suas produções são bastante elaboradas e neste trabalho você seguiu esta mesma linha. Pelo que apuramos, o CD sairia no fim de 2011 e agora está previsto para março. A gravadora soube lidar bem com sua forma de trabalhar valorizando bastante cada etapa?

É verdade que eu nunca fui muito bom com prazos, rs… Outra verdade é que sempre deixei claro para todos que eu não valorizo nada acima da minha liberdade de expressão artística e religiosa. Também sou conhecido por dar sempre o meu melhor em tudo o que faço, tanto em energia, como também nos recursos… enfim, em todos os sentidos! Jamais poderia esperar tanta compreensão por parte de uma gravadora multinacional como a que eu recebi da Sony Music. Não foi fácil ter que, em pelo menos 3 ocasiões diferentes, pedir um adiamento da minha data de lançamento, mas todas as reuniões que tive foram num clima amigável… Só Mauricio, mesmo, pra ser compreensivo ao ponto de dar risada dos meus atrasos! De maneira alguma quero diminuir a seriedade do que é não cumprir prazos, mas parece que nem precisava explicar para a gravadora que o que eu estava fazendo era para o bem do projeto, acima de qualquer coisa. Outra coisa que me surpreendeu foi a liberdade musical e de conteúdo que eu tive. Sei que muitas pessoas acham que quando você vai para uma Major eles querem controlar o que você vai cantar, vestir, dizer, etc., mas a minha experiência foi o contrário. Nunca fiquei tão à vontade para colocar num CD exatamente o que D-S tem me tocado a colocar, no formato exato em que sinto que devo fazê-lo. Mas ao mesmo tempo nunca me senti tão apoiado e valorizado nas minhas decisões musicais. 

04 – Você é considerado um dos mais criativos, diferenciados e talentosos artistas da nova geração de música cristã. Quais são suas maiores referências artísticas?

Eu ouço um pouco de tudo. Desde música renascentista (meu primeiro instrumento é Viola da Gamba) até o que tem de mais moderno que me apresentam. Mas a grande maioria das minhas referências, especialmente de música cristã, são internacionais. Cindy Morgan, Fred Hammond e Take 6 são os mais tradicionais, mas recentemente a Lisa Gungor, Future of Forestry e Leeland também estão fazendo parte da "trilha sonora da minha vida". No fundo, admiro qualquer cantor/músico/artista que dá 100% sempre e não se contenta em apenas repetir fórmulas de sucesso. Que ousa se reinventar e arrisca tudo para se manter sincero e verdadeiro e, principalmente, relevante. Acho que por isto gosto de tantos estilos diferentes, porque é mais a qualidade do que o gênero, mais o esforço do que qualquer outra coisa que me cativam.

05 – Neste trabalho você se auto-produziu e contou com alguma ajuda de sua esposa, a também cantora Daniela Araújo. Como foi a participação e influência dela em seu trabalho?

É como já disse antes. Tudo o que tem influência sobre minha vida tem também influência sobre minha música e meu trabalho. Não quero e nem consigo separar uma coisa da outra. A Daniela é um presente de D-S pra mim. Em todos os sentidos! Ela tem uma visão musical e de produção que eu não tenho e além de acompanhar toda a produção do cd, desde a escolha do repertório e pré-produção, ela assina a produção de duas faixas, também (as duas músicas que ela compôs). Atribuo praticamente todo o meu crescimento musical do "viver e cantar" para o "princípio e fim" à minha convivência com ela e ao trabalho que pude acompanhar da produção do cd dela (que ela assinou, também). É incrível porque ela presta atenção e entende de coisas a respeito das quais eu não tinha sequer parado para pensar antes de conhecê-la e vice-versa. É um casamento e tanto, em múltiplos sentidos, rs.! E além de tudo isto ela ainda me deu o presente de participar cantando comigo na faixa de trabalho. Talvez o mais engraçado é que as minhas 3 músicas prediletas deste CD são as duas que ela compôs e a que ela cantou comigo, rs.! Será que é porque eu a amo, rsrsrs…?!

06 – Pelas primeiras impressões, em Princípio e Fim você traz uma roupagem levemente mais pop para o conjunto da obra. Tem um pouco de black music, world music, MPB e no fim, você mantém sua principal característica que é interpretar canções com muita sofisticação. Você considera este trabalho como sua fase mais madura artisticamente falando?

Meu pastor Edson Nunes estava falando isso pra mim ontem, ainda… Não sei se eu tenho objetividade o suficiente para fazer uma avaliação destas, mas entre meus trabalhos em Português, todos que já escutaram "princípio e fim" são unânimes em dizer que este se destaca –e muito!– em relação aos anteriores. É um trabalho mais coeso, tanto teologicamente quanto musicalmente. E em termos de produção, também aprendi a não cometer muitos dos erros que cometi antes, também… Especialmente por não querer fazer 2 ou 3 discos em um só (como foi o caso de "viver e cantar"), rsrsrs…! Mas o CD em hebraico "Avinu Malkenu" pra sempre terá um lugar especial e separado no meu coração. 

07 – Este CD teve parte gravado no Brasil, outra parte na Europa e ainda, foi masterizado em Londres. Como se deu todo esse processo de gravação? O quanto de benefício trouxe para o resultado final do projeto todas estas influências?

Quando as pessoas ouvem falar que a gente gravou este CD em 3 continentes diferentes, eles pensam que a gente é maluco, rs.! Mas na verdade é a busca incessante de conseguir viabilizar os seus sonhos artísticos e de produção. É a arte de tentar caber o melhor que está ao nosso alcance e o melhor que tem disponível no mundo dentro de um orçamento muitas vezes limitado. Mas, no fundo, a gente vai atrás do melhor custo x benefício, mesmo. E pra gravar cordas, isto é Praga. E pra gravar bateria, isto foi nos EUA. E pra gravar o restante, foi aqui, mesmo… Talvez a maior –ou única– extravagância da produção foi a masterização em Londres. Mesmo com o orçamento estourado foi algo que eu simplesmente decidi fazer. E foi uma das melhores decisões que eu poderia ter tomado! Nunca vi um CD crescer tanto da mix (que já estava incrível) para a master. Tony realmente deu um toque especial.

Muitas pessoas dizem que o público não nota estas diferenças de produção e que para eles, tanto faz. Eu discordo desta opinião. Eu acho que a gente não deve, jamais, subestimar o público. E mesmo que, a princípio, não notem algumas destas diferenças, é nosso dever elevar os seus critérios, educá-los sempre que possível. Mas volto a repetir: acho que qualquer um nota a diferença entre "strings" de teclado e 60 cordas gravadas em praga. Agora, claro que sonho em um dia gravar 60 cordas em Londres, mas por enquanto nem o orçamento do CD inteiro seria o suficiente para isto, rsrsrs…!

08 – Com o lançamento de Princípio e Fim você pretende dedicar-se em 2012 exclusivamente a divulgar o projeto ou já tem algo a mais em mente?

Como meu processo de criação é extremamente lento –demorei 2 anos pra gravar o primeiro, 3 anos para gravar o segundo e 6 anos pra gravar o terceiro disco– já estou, evidentemente, pensando em projetos futuros; mas só no nível de pré-produção. 2012 eu vou dedicar exclusivamente a trabalhar este CD aqui, no Brasil. Sonho com um DVD pro ano que vem e tenho MUITA vontade de fazer um CD em inglês… Vamos ver o que a gravadora acha, especialmente desta minha última idéia, rs.! 

09 – Você divide uma canção com sua esposa, Daniela Araújo. Como foi essa participação?

Eu queria que ela cantasse comigo outra música (que acabou não entrando no cd) e foi ela quem escolheu esta canção. Pra mim foi algo emocionante, porque desde que a gente se conheceu em 2006 a ligação musical entre nós sempre foi algo muito forte. E poder ter gravado uma canção tão significativa com ela e esta canção ainda ter se tornando a faixa título do cd! E está lindo, simplesmente. Nossas vozes se casaram perfeitamente. O dueto é tudo menos previsível. Só que ainda sensível e sutil. Eu amo a voz dela, mas nesta música está especialmente linda. É a faixa que mais me emociona no CD … Por tudo! Desde a melodia, letra, arranjo… tudo!

10 – A agenda já está aberta para convites? Quais os seus contatos?

Os contatos são os de sempre! Thiago Grulha é quem cuida da minha agenda: 11-84086857, mas preferencialmente via email em agenda.lg7@gmail.com
 
11 – Aproveite e deixe todos os seus contatos de redes sociais, sites, twitter.

twitter: @leonardogoncal7

12 – Uma última mensagem para os nossos leitores.

Jesus Cristo voltará em breve para restaurar esta terra e estabelecer Seu Reino eterno. Desde agora precisamos buscar viver o Amor que Ele tem por nós, pelas pessoas que estão à nossa volta, especialmente os mais necessitados.

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